Foi de bike?
setembro 22nd, 2009 by Projeto Na Rua received No Comments »Na manhã do dia mundial sem carro, São Paulo parecia a mesma que em qualquer dia normal de garoa e trânsito caótico.
São 800 novos veículos todos os dias (!) que entram em circulação pelos mais de 830 km de vias da cidade. Segundo o urbanista Cândido Malta Campos Filho, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, se esse número continuar, daqui a três anos, em 2012, a “cidade que não para” vai enfim travar.
Apesar das previsões alarmantes e muito se falar, são poucas as ações para reverter essa situação.
Ao contrário de outras prefeituras (Curitiba, Rio de Janeiro), que fecharam ruas do centro para incentivar a população a deixar seus automóveis na garagem, os eventos conscientizadores realizados na capital paulista partiram de movimentos como Nossa São Paulo e organizações como S.O.S Mata Atlântica, Greenpeace. Em nota no site, a prefeitura postou sua “participação” no Dia Mundial Sem Carro: o prefeito Gilberto Kassab foi de ônibus até a prefeitura.
Uma das alternativas quando o trajeto à pé é inviável, é a bicicleta. Na última sexta-feira, a bike se consagrou tetracampeã do campeonato Intermodal, evento que reúne os mais diversos tipos de veículos – desde helicópteros a patinete – para percorrer um percurso de 10 km. Os ciclistas levaram 22 minutos, a uma velocidade média de 26 km/h, enquanto o carro gastou mais de 1 hora para completar a prova.
Conversamos com Luiz Herzberg que a pouco mais de 2 anos adotou a magrela como seu meio de transporte. Além de enfrentar pedestres e motoristas mal educados todos os dias, Luiz reclama da falta de infraestrutura para os ciclistas.
Hoje, São Paulo conta com 10,5 km de ciclofaixa, mas que só pode ser utilizada aos domingos, das 7h ao 12h. Números muito tímidos para uma cidade com mais de 11 milhões de pessoas, 8 mi se deslocando todos os dias. Luiz comenta a novidade: “É muito bom saber que a bike esteja em pauta, mas a ciclofaixa é apenas um enfeite. Falta uma ação efetiva.” Para Luiz, a maior dificuldade em trafegar sobre duas rodas não é nem o trânsito, nem a falta de ciclovias, e sim “encarar a bike como meio de transporte”.
“Enfrentar o trânsito não é moleza, eu tenho que estar atento à tudo; qualquer descuido é literalmente minha cabeça”, conta Luiz. Mas também fala do lado bom “além de ter a parte da saúde, de estar se exercitando, depois de enfrentar o trânsito, chego no trampo pronto pra resolver qualquer bucha!”.
Ao contrário do que se pensa, o Car Free Day foi um movimento criado em 1998 na França, que atenta para a dependência do carro para se locomover – tanto que lá o evento é chamado de Semana Européia de Mobilidade – e não pela questão ambiental. Foi a partir da adesão de outros países que a preocupação se voltou para o problema ecológico. Para Luiz, essa é a parte mais bacana em pedalar pela gigante metrópole “você vê a cidade de outra perspectiva, entra num bairro, se perde, e acaba conhecendo melhor a cidade”.
A gente torce para que outras pessoas criem coragem como o Luiz e, principalmente, que as prefeituras e órgãos públicos voltem suas atenções para os ciclistas. Espírito Na Rua.
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É a rua o lugar onde PULSA a vida. É rumo à rua que vão os que querem protestar, se divertir, fugir, ficar.
Num momento em que cada vez mais nos isolamos do mundo, salvaguardados e bem-acomodados em nossas casas, a rua deixou de ser palco para se tornar pano de fundo.




